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HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: DOENÇA QUE AGE SILENCIOSAMENTE.

Autores: Amir Simon Skaf, Barbara Rebouças dos Santos Pereira, Bianca Oliveira Santana, Harissa Skaf, Maria Eduarda Franca Dourado Neto Pires e Jefferson Petto.



A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença cardiovascular crônica, multifatorial, que se dá pela elevação da pressão que o sangue exerce sobre as paredes das artérias. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, 32,3% dos brasileiros adultos foram identificados com valores elevados da Pressão Arterial (PA), >=140/90mmHg, com prevalência no sexo masculino e idade acima de 70 anos. Embora geralmente a HAS seja assintomática, a evolução da doença pode manifestar o aparecimento das lesões de órgãos-alvo (LOA), causando sintomas graves cardiovasculares, retinianos, renais e neurológicos.


O QUE PODE CAUSAR A HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA?


A HAS é uma doença idiopática, ou seja, não tem uma causa pré-definida. No entanto, fatores primários e secundários podem desencadear esta condição. Os fatores denominados primários são os mais comuns, incluem fatores não modificáveis como: Idade, raça, gênero e histórico familiar, e fatores modificáveis, que estão diretamente ligados aos hábitos de vida de cada indivíduo, como: estresse, sedentarismo, ganho de peso (IMC acima de 30), etilismo, tabagismo e ingestão de alimentos que contêm sódio. Já os fatores secundários atingem uma porcentagem menor da população e são derivados de outras condições de saúde, como: doença renal crônica, distúrbios hormonais, síndrome de Cushing e apneia obstrutiva do sono.


COMO SE DÁ O DIAGNÓSTICO?


Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o ponto de corte para o diagnóstico da HAS em indivíduos adultos é dado pela Pressão Arterial Sistólica (PAS) >=140mmHg e/ou Pressão Arterial Diastólica (PAD) >=90mmHg . Após esse diagnóstico, a HAS é classificada em estágios para uma melhor implementação de tratamento, como mostra o quadro 1.


Quadro 1. Classificação da hipertensão arterial em adultos. Fonte: Barroso (2020)


Consultas e exames de rotina com um cardiologista são condutas importantes para o diagnóstico e acompanhamento da HAS. Portanto, mediante suspeita de níveis pressóricos elevados, o indivíduo deve procurar um profissional especializado para uma avaliação. A avaliação consiste em: medir a PA no consultório e/ou fora dele, obtenção de história médica (pessoal e familiar), realização de exame físico e investigação clínica e laboratorial.

Para um diagnóstico fidedigno, é importante que a PA seja medida também fora do consultório através da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) ou da Medida Residencial da Pressão Arterial (MRPA). A MAPA é prescrita pelo médico para observar a média da PA durante 24 horas sendo considerado HAS uma média acima de 130/80mmHg.




Figura 1. Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial

A MRPA é requerida pelo médico para ter uma ideia de como a PA está durante alguns dias. Se for durante 5 dias consecutivos, as medidas devem acontecer 3 vezes pela manhã antes do medicamento e do desjejum, e 3 vezes pela noite antes do jantar.




Figura 2. Medida Residencial da Pressão Arterial


O QUE A HIPERTENSÃO DESCOMPENSADA PODE CAUSAR A LONGO PRAZO?


Com a evolução da HAS o paciente pode apresentar lesão de órgãos-alvo, que são lesões estruturais e/ou funcionais decorrente da hipertensão em vasos sanguíneos, coração, cérebro, rins e olhos. As lesões causam um aumento do risco cardiovascular, o que leva a reclassificação no estágio da HAS. Para avaliar as lesões e o risco cardiovascular, é necessária uma bateria de exames complementares laboratoriais e de imagem, como: Glicemia e hemoglobina glicada (HbA1c), Colesterol total e frações, Creatinina e sumário de urina, Eletrocardiograma e Ecocardiograma.


Exemplos de Lesões de Órgãos Alvos:

● No cérebro: AVC (isquêmico/ hemorrágico) ou demência vascular

● No coração: Insuficiência Cardíaca Congestiva e Síndrome Coronariana Aguda e Doença Arterial Coronariana.

● Olhos: Retinopatia hipertensiva

● Rins: Nefropatia hipertensiva

● Periferia: Doença Arterial Obstrutiva Periférica.



COMO TRATAR A HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA?

O tratamento da HAS tem o objetivo de alcançar o controle da PA e para isso ele envolve a adoção de terapias não medicamentosas e medicamentosas. Vamos entender em que consiste cada uma dessas terapias:


A primeira medida, não medicamentosa, se refere a mudança do estilo de vida que deve ser adotada pelo paciente, como:


● Alimentação saudável;

● Praticar regularmente de exercícios físicos;

● Cessação do tabagismo;

● Controlar o peso corporal (IMC);

● Reduzir o consumo de álcool;

● Reduzir o consumo de sal.


Já o tratamento medicamentoso se baseia principalmente em 4 classes de fármacos capazes de reduzir a mortalidade, são eles:


DIURÉTICOS: Atuam nos rins fazendo a diminuição de sódio corporal.


VASODILATADORES DIRETOS: Atuam bloqueando os canais de cálcio na musculatura da parede vascular, promovendo relaxamento muscular com consequente vasodilatação.


AGENTES BLOQUEADORES DA PRODUÇÃO OU AÇÃO DA ANGIOTENSINA: Atuam nos rins inibindo a secreção de aldosterona (hormônio). Aumenta a excreção renal de sódio e diminui a excreção de potássio.

+ Inibidores de ECA (Enzima Conversora de Angiotensina): Impede que a angiotensina I se converta em angiotensina II.

+ Inibidores de renina (BRA): Impede que o angiotensinogênio se converta em angiotensina I.

AGENTES SIMPÁTICOPLÉGICOS:

+ Beta-bloqueadores: Bloqueiam os receptores beta-adrenérgicos diminuindo a ação da adrenalina sobre o coração e vasos, tendo como consequência, diminuição da frequência cardíaca, débito cardíaco e PA.



METAS PRESSÓRICAS:


A partir da decisão terapêutica, nosso objetivo é atingir as metas pressóricas preconizadas para cada grupo. Assim, a SBC define que indivíduos com HAS estágio I e II + risco alto a PA deve ficar < 130x80mmHg. Já os pacientes com HAS estágio III ou HAS estágio I e II + risco baixo ou intermediário, o ideal é tentar manter a PA <140x90mmHg.




CURIOSIDADE:


Em 26 de abril celebramos o Dia Nacional de Prevenção e Combate à HAS. Data instituída pela Lei nº 10.439/2002 com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico preventivo e do tratamento da doença.



REFERÊNCIAS:

- Mill JG, Malta DC, Machado ÍE, Pate A, Pereira CA, Jaime PC, et al. Estimativa do consumo de sal pela população brasileira: resultado da Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2019;22(suppl 2):E190009. [Citado em 2020 Mar 10]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v22s2/1980-5497-rbepid-22-s2- e190009-supl-2.pdf.

- BARROSO, KSW et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Goiânia: v. 3, n. 116, p. 516-658, 2020.

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