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Doença Arterial Obstrutiva Periférica

Autores:

Maria Williane de Sousa Ribeiro

Marvyn de Santana do Sacramento




A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP), afeta cerca de 12 a 20% da população americana acima dos 60 anos [1]. Trata-se de uma manifestação da doença vascular aterosclerótica, que causa estreitamento da vasculatura arterial periférica, principalmente em membros inferiores (MMII). Essa diminuição na luz do vaso reduz a perfusão vascular da musculatura dos MMII, podendo, em casos mais graves, causar a isquemia do membro com repercussões funcionais sobre a tolerância à caminhada e equilíbrio [2].

Alguns fatores de risco para a DAOP são:


  • Idade

  • Sexo (homens)

  • Etnia (negra)

  • Tabagismo

  • Hiperlipidemia

  • Hipertensão

  • Diabetes Mellitus

  • Doença Renal Crônica [2]

soma de 2 ou mais fatores pode elevar em até 10 vezes o risco de desenvolvimento da História Clínica

O indivíduo com DAOP pode apresentar Claudicação Intermitente (CI), função de caminhada prejudicada e dor isquêmica em repouso. [1]


Claudicação Intermitente (CI)

A CI é o desconforto na musculatura dos MMII durante a deambulação, que pode ser percebido como câimbra ou fadiga muscular. Ocorre devido à baixa oferta de oxigênio para a demanda metabólica muscular local e é revertida com alguns minutos de repouso [3].

Para avaliar e classificar os sintomas da CI existem duas escalas que podem ser utilizadas: Escala de Rutherford e escala de Fontaine. A graduação permite categorizar o paciente desde a fase assintomática, até a fase mais grave com presença de lesão tecidual [4].


Fonte: Projeto Diretrizes SBACV. Doença Arterial Periférica Obstrutiva de membros inferiores diagnóstico e tratamento [4].


Pacientes com DAOP podem apresentar CI. Cabe ao profissional responsável investigar as limitações funcionais frente ao exercício e atividades de vida diária como a tolerância a caminhada. Na ausência de sintomas referidos pelo paciente, mas, sendo observado pelo profissional a conjuminância dos fatores de riscos listados anteriormente, cabe a investigação mais profunda, visto a importância da atenção preventiva em saúde.


Exame Físico

Ao exame físico é possível observar: pulsos dos membros inferiores diminuídos; função de caminhada prejudicada; claudicação intermitente; dor isquêmica em repouso; gangrena de membros inferiores; ferida de membro inferior que não cicatriza; e palidez na elevação das pernas ou rubor dependente [1].


Avaliação Diagnóstica

Dentro da avaliação diagnóstica é utilizado o Índice Tornozelo Braquial (ITB). O teste deve ser realizado em repouso. É feita a mensuração das artérias dorsal do pé, tibial posterior e braquial do hemicorpo direito e esquerdo. Após, é avaliado o valor da pressão arterial sistólica dos MMII (artéria dorsal do pé), esse é dividido pelo maior valor sistólico dos MMSS (artéria braquial). [1,3]




Journal of Vascular Surgery 2007 45S5-S67 [3]

Ao analisar o indivíduo com suspeita de DAOP, a priori deve-se verificar a história clínica. Segundo a Diretriz da AHA/ACC 2016 [5] sobre o manejo de pacientes com DAOP, dos valores encontrados no teste do ITB, significam:


  • ITB ≥ 1,40 não são compreensíveis*

  • ITB entre 1,00- 1,40 são considerados normais;

  • ITB entre 0,90 – 0,99, limítrofe;

  • ITB ≤0,90 é anormal. (suspeita)

* Valores de ITB maiores que 1,40, deve ser mensurado o TBI (índice dedo do pé-braquial) [5]


Tratamento


A meta-análise de Thanigaimani e et al (2021) [6], analisa algumas possibilidades de tratamento para claudicação intermitente. Dentre elas estão:


  • Terapia farmacológica (cilostasol),

  • Revascularização endovascular (Angioplastia)

  • Programa de Exercícios Domiciliares (não supervisionado)

  • Programa de Exercícios Supervisionado


Quando se comparou as distâncias (em metros) após cada uma das intervenções, observou-se que o grupo que realizou a Angioplastia associada ao programa de Exercício Supervisionado foi o que apresentou melhor desempenho. No entanto. quando analisamos a intervenções isoladamente, no curto e médio prazo a Terapia Farmacológica e a Angioplastia NÃO MODIFICAM a distância percorrida.


Além disso, no longo prazo, essa pesquisa [6] demonstrou que não há sustentação dos benefícios, ou seja, a interrupção do programa de exercício físico levará a perda do condicionamento e retorno dos sintomas. Portanto, ressalta-se a importância da triagem de pessoas com fatores de risco para DAOP e o encaminhamento delas para Serviços de Reabilitação com Programa Supervisionado, com posterior manutenção do tratamento.



REFERÊNCIAS:


1- Firnhaber JM, Powell CS. Lower Extremity Peripheral Artery Disease: Diagnosis and Treatment. American Family Physician. 2019 Mar 15;99(6):362–9. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30874413/

2- Mascarenhas JV, Albayati MA, Shearman CP, Jude EB. Peripheral Arterial Disease. Endocrinology and Metabolism Clinics of North America. 2014 Mar 1 [cited 2021 Dec 11];43(1):149–66. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S088985291300090X?via%3Dihub

3-Norgren L, Hiatt WR, Dormandy JA, Nehler MR, Harris KA, Fowkes FGR. Inter-Society Consensus for the Management of Peripheral Arterial Disease (TASC II). Journal of Vascular Surgery. 2007 Jan;45(1):S5–67. Available from: https://www.jvascsurg.org/article/S0741-5214(06)02296-8/abstract

4- Miranda F, Covre M, Presti C. Projeto Diretrizes SBACV DOENÇA ARTERIAL PERIFÉRICA OBSTRUTIVA DE MEMBROS INFERIORES DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO Planejamento e Elaboração -Gestões 2012/2015 Elaboração final: novembro de 2015 Participantes: Responsável pelo Projeto Diretrizes da SBACV: Calógero Presti Coordenação geral. 2015 Nov. Available from: https://sbacvsp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/daopmmii.pdf

5- Gerhard-Herman MD, Gornik HL, Barrett C, Barshes NR, Corriere MA, Drachman DE, et al. 2016 AHA/ACC Guideline on the Management of Patients With Lower Extremity Peripheral Artery Disease: Executive Summary: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation [Internet]. 2017 Mar 21 [cited 2019 Feb 27];135(12). Available from: https://www.ahajournals.org/doi/pdf/10.1161/CIR.0000000000000470

6- Thanigaimani S, Phie J, Sharma C, Wong S, Ibrahim M, Huynh P, et al. Network Meta‐Analysis Comparing the Outcomes of Treatments for Intermittent Claudication Tested in Randomized Controlled Trials. Journal of the American Heart Association . 2021 May 4;10(9). Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8200724/

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